Quinta-Feira,�23 deNovembro,�2017

Bolsas: "Twist" de Bernanke provoca onda de crash

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"Operação Twist" desencadeada ontem pela Reserva Federal norte-americana está a provocar hoje uma onda de crash nas bolsas asiáticas e europeias e um disparo no risco de default de grandes economias da zona euro.


Por
Jorge Nascimento Rodrigues

A "Operação Twist" de mudança do perfil do portefólio de títulos do Tesouro da Reserva Federal  (banco central) norte-americana está a alcançar um dos seus objetivos - o de empurrar as yields (taxas de rendibilidade) dos títulos norte-americanos e alemães (Bunds)  a 10 anos para mínimos históricos, mas desencadeou, desde ontem à noite, uma onda de crashbolsista.

As yields dos títulos do Tesouro americano já caíram hoje para 1,79%, um novo mínimo histórico, e no caso das Bunds para 1,66%, um novo mínimo.

Mas a decisão do banco central, liderado por Ben Bernanke, provocou uma onda de crash nas bolsas.

O vermelho começou por marcar ontem o fecho de Wall Street, mas a onda cresceu e atingiu com força as bolsas asiáticas, que fecharam hoje no vermelho, com destaque para o Hang Seng (da bolsa de Hong Kong) e o BCE Sensex 30 (da bolsa indiana), que caíram mais de 4%. No caso do índice indiano foi a maior queda diária nos últimos dois anos. O MSCI Asia Apex 50 fechou com uma quebra de 5,12%.

Na Europa, 16 bolsas fecharam com quebras superiores a 4%, entre elas as mais importantes, como Londres, Frankfurt, Paris, Milão e Madrid. O índice CAC 40, da bolsa de Paris, e o PSI 20, em Lisboa, fecharam com quebras superiores a 5% e três bolsas chegaram inclusive a cair mais de 6%, no caso da Áustria, Polónia e Rússia. O índice Bloomberg European 500 fechou com uma queda de 4,64%.

Na abertura de Wall Street, os índices Dow Jones e S&P 500 caíram mais de 2,5%. A meio da sessão, a queda é superior a 3% em cada um dos índices.

Itália acima de 550 pontos base


Mas o impacto não se deu apenas nas bolsas. O mercado secundário da dívida soberana foi atingido por uma revoada de deterioração da situação de crédito de grandes economias da zona euro - com destaque para a Itália, que já galgou os 550 pontos base de preço dos credit default swaps (cds, seguros contra o risco de incumprimento), a França que está acima de 200 pontos base, a Bélgica próxima de 300 pontos base, e a própria Alemanha ultrapassou a barreira dos 100 pontos base. O nível de 500 pontos base é considerado um ponto de viragem, como ocorreu para a Grécia, Irlanda e Portugal.

A acalmia relativa em relação à Grécia - que recomeça as negociações para a semana com a troika e cujo risco de default da dívida soberana está adiado para dezembro -, foi largamente compensada pelo stresse na Itália. O risco de default do país já está próximo de 39%, segundo dados da CMA DataVision. A 21 de julho, o custo dos cds para a dívida italiana era de 250,94 pontos base, menos de metade, e a probabilidade de incumprimento era inferior a 20%.

O stresse alastrou a Portugal - cujo risco subiu para 64,70% -, à Espanha (com o risco em quase 33%), à Bélgica (cujo risco subiu para 23,2%), à França (com o risco em 16,5%) e mesmo à Alemanha, que tem um risco muito baixo, de 9,2%, mas que está a sofrer uma pressão significativa hoje.

Alto stresse na banca mundial


No mercado dos cds, 11 dos principais bancos do mundo estão a subir mais de 5% no preço desses seguros contra o risco.

Segundo dados da CMA DataVision, a lista alberga: JP Morgan, Deutsche Bank, UniCredit, Barclays, Crédit Agricole, Bank of Sctoland, Mitsubish UFJ, Australia and New Zealand Bank, Standard Chartered, Nomura Securities, Wells Fargo, Morgan Stanley e Goldman Sachs.

 

 


Jorge Nascimento Rodrigues é editor de www.gurusonline.tv, www.janelanaweb.com e geoscopio.tv. É igualmente Editor Executivo da Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão e colaborador do semanário Expresso.

History Research: Pioneers of Globalization (http://www.centroatl.pt/globalization/)

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Este comentário foi originalmente publicado no Expresso Online dia 22 de Setembro 2011

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