Liberty Silver - Moedas de Prata sem IVA

Liberty_Silver_PT

Facebook BI

Quinta-Feira,�14 deNovembro,�2019

As 78 mil milhões de razões

Fernando-Braga-de-Matos

Por Fernando Braga de Matos*

(Onde o autor, roendo as unhas devido a um empolgante acontecimento do fim-de-semana, a saber o Portugal - Noruega, recorda que também há eleições legislativas e que não era má ideia pôr o Sócrates a milhas, antes que ele, com o dinheirinho a chegar, ainda se lembre para aí duma ponte continente - Açores).

A campanha tem corrido muito bem, muito animada, cheia de arruadas, frases de grande finura e ideias plenas de substância, numa feérie tal que acredito só servir para aumentar a abstenção e o consumo de ansiolíticos. Claro que não somos diferentes dos outros, noutros lados, também eles brindados com mimos parecidos, aliás ampliados em toda a parte por uma comunicação social ávida de questiúnculas e questões, grandes, pequenas e insignificantes, pois a multidão alimenta-se, presumem eles, desses atritos, nem que sejam os famosos "pentelhos" catroguianos. Até temos a grande mensagem da campanha socrática - "por sede do poder, derrubaram um governo que estava a fazer bom trabalho, precipitando uma ajuda externa desnecessária" (as palavras não são exactas, mas quase) - que, se ainda há crédulos para ela, irá motivar muito malfeitor a ir vender vigésimos premiados para os comícios do PS, substituindo os habituais carteiristas de ajuntamentos inocentes.

Pelos vistos, a discussão pela positiva está fora de hipótese, até mesmo o vinculativo memorandum da troika, pelo que o maior dos cuidados se impunha aos candidatos no domínio da frase infeliz, de sentido potencialmente questionável ou mesmo apenas susceptível de interpretação abusiva. As coisas são como são e as regras do jogo já eram conhecidas, e assim estavam vigentes por muito detestáveis que se afigurem. Claro que neste campo quem surge à ideia de imediato é a actuação de Passos Coelho que até já tinha visto a campanha pela verdade travada e perdida por Ferreira Leite, por muito clara que "a posteriori" se tenha verificado a sua agora indesmentível razão. Problema da memória curta das pessoas, poderá dizer-se, mas isso é também um dado da pugna, e os jogos que se querem ganhar travam-se com a eficiência das armas e a configuração dos cenários que estão lá factualmente à disposição e não outros, mais louváveis e benignos para almas piedosas. O homem tem ar de bom rapaz, um pouco tímido até, como a canção do antigamente, mas que ele é o maior a deitar cá para fora inconveniências eleitorais, por Metro quadrado, isso é inquestionável. Não faço bem ideia dos danos eleitorais que isso causa, mas seguramente alguns estilhaços há-de provocar , por muito que entre uma bojarda e uma bancarrota se visualize alguma diferença, mesmo nos brandos costumes locais.

Sócrates , por sua vez, não é poupado pelos oponentes laranja, mas é pelas malfeitorias que foi fazendo ao longo de seis anos e não pelas asneiras proferidas de há uns meses a esta parte. Ele já está na fase decadente final de bombo de festa, de quem já não suscita respeito, mas atirar-lhe com similitudes sadamianas, hitlerianas ou draculianas já é um tanto hiperbólico.

É certo que quando afirma que "nunca cometeu o erro de deixar de agir", isso é alguma coisa que o camarada Adolfo não deixaria de dizer de si próprio, e eu só não o reitero aqui porque ainda me aparece algum "hate mail" de camisas castanhas saudosistas a vociferar, escrevendo que se diz tudo do falecido Fuehrer mas compará-lo a Sócrates já é demais. Vamos, pois, evitar tal catroguismo, mesmo nesta sede de cultura politicamente incorrecta.

Está, pois, chegada a hora de ir votar, pelos vistos ainda na indecisão revelada pelas sondagens, que deixa perplexos os analistas estrangeiros, como o do "Financial Times", surpreendido por não estar a acontecer o mesmo que em Espanha e na Irlanda, " quando há, em Portugal, tantas pessoas com razões para se sentirem prejudicadas". Ora, no caminho certo achei eu o apelo ao voto feito por Manuela Ferreira Leite, em comício do PSD, no qual a estimável senhora, pelos vistos não encontrando melhores razões para enaltecer o candidato do seu partido, foi dizendo que votar no PSD é a melhor maneira de nos livrarmos de Sócrates.

 

 

* Advogado, autor de " Ganhar em Bolsa" (ed. D. Quixote), "Bolsa para Iniciados" e "Crónicas Politicamente Incorrectas" (ed. Presença). Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar


Publicado no Jornal de Negócios dia 3 de Junho de 2011

 

Comentários (0)

Subscrever RSS deste comentário.

Exibir/Ocultar comentários.

Escreva um comentário.


busy

AVISO: A informação contida neste website foi obtida de fontes consideradas credíveis, contudo não há garantia da sua exactidão. As opiniões aqui expressas são-no a titulo exclusivamente pessoal. Devido à variação dos objectivos de investimento individuais, este conteúdo não deve ser interpretado como conselhos para as necessidades particulares do leitor. As opinões expressas aqui são parte da nossa opinião nesta data e são sujeitas a alteração sem aviso. Qualquer acção resultante da utilização da leitura deste comentário independente do mercado, é da exclusiva responsabilidade do leitor.