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Quinta-Feira,�23 deNovembro,�2017

Charros e anfetaminas

Fernando-Braga-de-Matos

Por Fernando Braga de Matos*

(Onde o autor constata, mais uma vez, que se os mercados andam à beira de um ataque de nervos é porque os políticos parecem maluquinhos maníaco-depressivos e não o contrário, verificando também que a semana foi um autêntico festival psicadélico, pelo que sugere fortemente que o governo dos povos deva incluir uma câmara alta, constituída por farmacêuticos e psiquiatras).

Aquela cena do Papandreou e do referendo é de fazer alterar o mais afoito, mas eu que sou estilo "cool, calm, collected" o que pus em alternativa foi o tipo de droga que o homem tinha tomado.O assunto está mais que glosado, porém é divertido relembrar que o ameríndio pôs a Europa e o mundo em polvorosa, com dezenas de milhares de técnicos que tinham andado a fazer contas a fazê-las de novo e centenas de milhares de investidores e especuladores a correrem para o "sell-off"; tirou da cama, em sobressalto, o dueto da corda Merkl-Sarkozy e obrigou

Passos Coelho a ter saudades de ser oposição; tudo isto enquanto deixava 400.000.000 pessoas na Europa a pensar que "europeu" ia voltar a ser apenas um conceito geográfico.

Por mim, pus-me a pensar que jogo estava a ser jogado, pois nós, os intelectuais, não arrumamos as coisas com um mero palavrão a qualificar desprimorosamente a mãe das pessoas. Sem necessidade de grandes aprofundamentos, concluí que se tratava de uma roleta russa com um só jogador, uma coisa à grega, mais para chatear do que para resultar positivamente, com o único efeito de deixar os miolos do protagonista a sujar a alcatifa, voltando tudo à normalidade para melhor, depois de retirado o cadáver. Efeito colateral interessante a salientar, mas no campo do etéreo, foi o verso poético "temei os gregos que trazem presentes" a sofrer uma redução para "temei os gregos", sem mais.

Nos comentários políticos sobre o evento, também vi muito psicotrópico a escorrer e muitas boas razões para galhofa. Delirantes, vieram os comentários de bloquistas os quais entraram em êxtase com o aceno de referendo, não por causa da importância do tema ou da valia de potenciais resultados, mas por amor, diziam eles, ao sentir do povo. Numa situação explosiva como a actual, o que interessa é resolvê-la, não ejacular com orgias plebescitárias ou democracias directas, tanto mais que a proposta inicial de Papandreou nem poderia ser submetida a referendo por complexidade da pergunta a formular. Foi preciso a Merkl rectificar.


De risota, vieram também "opinion makers" (espero que não o sejam realmente) a invocar a mestria do golpe. Assim mesmo, "golpe de mestre"! Eu, na minha simplicidade, acho que, se o homem tinha como objectivo chegar ao presente estado de coisas, então bastava fazer a proposta aos outros políticos todos, mortinhos por corrê-lo e substitui-lo por um tecnocrata consensual, por um lado, e necessitando dos fundos europeus desesperadamente, por outro. O método que esses analistas acharam genial, se continha alguma agenda escondida, antes parecia um esquema do coiote a tentar apanhar o papa-léguas, com aparelhos da ACME, e a fracassar com estrondo.

Mas com tanto festival de anormalidade, pensam os leitores que é impossível arranjar pior? Sim, é possível! Basta haver a circular os cismáticos da teoria da conspiração que esses, sim, conseguem sempre atingir o nível da camisa-de-forças. Então, para o jornal grego "Pontiki", isto tudo não passou de uma conjura dos amerloques. Vou tentar seguir o silogismo desses usuários da levomepromazina: Papandreou é grego, mas educado nos Estados Unidos; evidentemente, o homem serve, agora, os interesses dos imperialistas; a América deseja destruir o euro para que o dólar continue a dominar, e Obama mente despudoradamente no G20 ; desencadeada a operação "referendum", os gregos votariam "não"; daqui resultariam ondas de choque, a derrubar os dominós Portugal, Irlanda, Espanha, Itália, etc; a crise instalar-se-ia e o euro entraria em colapso; "America rules" (se os chinocas continuarem a emprestar, acrescento eu, insidiosamente). Q.E.D.

Mas não quero deixar em claro, agora pela ilegitimidade megalómana, o absoluto descaro do conúbio Mercozy a ameaçar o povo grego, seguramente inocente das bizarrias do seu primeiro-ministro. Por momentos, temi ver os "panzer" a avançar para os Balcãs, desta vez em aliança com os normalmente derrotados franceses. Finalmente, tivemos o pequeno Sarkozy (não me refiro à altura) a trazer à questão a "Europa a duas velocidades" o que significa, revisitado o conceito, expulsar do euro os países em dificuldades.

Andam todos injectados? Também acho, e é para ser caritativo, porque se é congénito…

 

 

 

* Advogado, autor de " Ganhar em Bolsa" (ed. D. Quixote), "Bolsa para Iniciados" e "Crónicas Politicamente Incorrectas" (ed. Presença). Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar


Publicado no Jornal de Negócios dia 11 de Novembro de 2011

 

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