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Quinta-Feira,�21 deSetembro,�2017

De Georges Sorel a Carvalho da Silva

Fernando-Braga-de-Matos

Por Fernando Braga de Matos*

(Onde o autor toma partido contra o partido da greve geral, afinal um mero factor de depauperamento e de tensão, sem ganho para a sociedade, mas não protesta contra o protesto, que - valha-nos Deus - bem se justifica).

Escrevo na madrugada de quinta-feira, 24, dia da greve geral, em solidariedade com os objectivos da mesma, pois, vivendo agora no descanso, a minha revolta demonstra-se pelo seu contrário, o trabalho, ainda para mais suado de escrever sem erros ortográficos e sem agredir a sintaxe.

A indignação que corre por aí, nos países ocidentais, é da cultura pop, deixando resíduos sólidos nos Jardins da Wall Street ou da Catedral de S. Paulo, mas não abalando o "establishment" , como Maio de 68, ou deixando herança cultural, como na América de Kerouac ou Sprinsteen. Dá-me ideia que, nas nossas sociedades envelhecidas, até os jovens esvaíram a energia, nos seus protestos Dreamworks ou arruaças onde não são abatidos com fogo real, enquanto se preparam para atingir a maioridade aos 35 anos. Infelizmente, nestes sítios de tranquilidade e relativa abastança, os oprimidos, os doridos, os vilipendiados não têm voz própria, e aqueles que dizem representa-los são objectivamente seus inimigos, pois a pobreza, em todas as suas formas, apenas é combatida pela criação geral de riqueza material , em ambiente de Lei e Justiça.

Mas, lembro-me perfeitamente da Greve Geral, a autêntica, a da violência científica de Georges Sorel , gerando o grande mito que arrastaria as massas - mas isso li-o nos canhenhos da universidade. Também li e aprendi que as intensas lutas operárias e campesinas contra os opressores ostentatórios do passado fazem parte do património da Humanidade, e, quando fugiram aos 1984, contribuíram para as Grandes Sociedades de hoje, como lhes chamou Lyndon Johnson.

Mas, aqui e agora, mais precisamente esta quinta-feira em Portugal?!. O que se tem é a típica greve moderna contra os contribuintes, os verdadeiros patrões dos funcionários públicos, afinal o corpo da paralisação; tudo vai orquestrado por estados-maiores profissionais que tratam de aniquilar a jugular do sistema, a rede de transportes , confiando, subsequentemente, nos princípios da inércia, enquanto umas correntes impedem entradas em edifícios públicos e uns sopapos de piquete chamam os opositores à razão. Para quem, como eu, entende que se deve fazer tender todos os jogos para a cooperação da soma positiva ou, na impossibilidade, para um desenho de equilíbrio, como teorizou Nash, estas coisas encanitam-me. Como entender uma CGTP que, em 37 anos nunca disse sim a coisa alguma?

Convém lembrar que a nossa Constituição é fruto da luta política contra a ditadura de Direita e, subsequentemente, com a forte componente esquerdista do PREC. Chegamos tarde à democracia e ao progresso social, e, assim, ainda não nos comparamos às sociedades mais avançadas onde as greves políticas, como esta, são altamente condicionadas e todas são precedidas de arbitragem. No nosso sistema legal, esta greve é admitida, mas não deixa também de ser uma manifestação contra um documento aprovado pelos representantes do povo, o orçamento de Estado, e contra um instrumento internacional subscrito por partidos valendo 80% do eleitorado.

Quero eu, com isto, protestar contra o protesto, indignar-me contra os indignados? Céus, não! - como já disse e repito. O que digo é que ninguém ganha com a greve de quinta-feira, tirando as centrais sindicais que têm que mostrar serviço e os militantes de esquerda que se revêem na sua dialéctica. De resto, só se passa que todos empobrecemos um pouco mais.

Voltando, ao conceptualismo acima, caímos, exclusivamente, num situação "perde-perde", excepto para aqueles que estão num jogo de guerra e desencadeiam uma escaramuça para avaliar forças. Mas, enfim, provavelmente, tudo isto é uma espécie de liturgia ou então um jogo predefinido , estimulado pelo mimetismo e contágio das televisões, em que este é o movimento necessário em resposta ao também obrigatório orçamento de austeridade - como num jogo de damas em que as brancas abrem e ganham mas as pretas têm que se mover, e todos sabem o resultado.

 

 

 

* Advogado, autor de " Ganhar em Bolsa" (ed. D. Quixote), "Bolsa para Iniciados" e "Crónicas Politicamente Incorrectas" (ed. Presença). Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar


Publicado no Jornal de Negócios dia 25 de Novembro de 2011

 

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