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Quinta-Feira,�14 deNovembro,�2019

Temos homem?

Fernando-Braga-de-Matos

Por Fernando Braga de Matos*

(Onde o autor faz notar que em equipa ganhadora não se toca, mas quando se depara uma outra , com os cofres exauridos, o treinador megalómano, os jogadores com varizes e os adeptos exaustos, ou se muda de clube ou se muda de vida, se entretanto não acontecer o mesmo que ao River Plate. Agora é mesmo avançar para outra, e, nesta metáfora futebolística, há indícios de que a pré-epoca começou bem).

Devo dizer que antipatizo com o saco de gatos que é normalmente o PSD. Para ilustrar, a razão que Ferreira Leite apresentava para votar em Passos Coelho era a de derrubar Sócrates e não qualquer mérito do excluído da suas listas de 2009. O PSD nem costuma usar a elegância das facas longas do CDS, às vezes com sangue vertido como o de Manuel Monteiro, mas também embainhadas por vezes como com Ribeiro e Castro. A coisa lá é um bocado caipira, com corpos a boiar nos esgotos e naifas nas espáduas. Ora PC lá venceu internamente, conseguiu chegar às eleições e até ganhá-las folgadamente.

Tendo em conta o modo cordato como se foi apresentando, PC pareceu-me pouco indicado para enfrentar Sócrates e o seu modo pugilístico de fazer política, baseado nos golpes baixos e no que quer que houvesse mais a jeito junto às cordas. Em seguida, foram surgindo as posições desajeitadas, evidenciando boa fé e convicções, mas também tácticas contraproducentes, como a famosa revisão constitucional. Num certo ponto, a questão já não era a de saber se PC poderia vir a ser bom governante mas se conseguiria ganhar o combate eleitoral, num país de subsidiodependentes a quem se agitasse a bandeira do medo. Enquanto eu seguia tudo com grande cepticismo ("stupid me"), optou pela estratégia do jogo claro, e saiu-se bem, dizendo pura e simplesmente ao que vinha com um programa de excelente concepção intelectual, integridade e clareza, a até de refrescante liberalismo.

Sinais não passam de presunções, mas na vida usámo-los permanentemente e isso é porque seguramente as percentagens de acerto são satisfatórias. O ponto que estávamos a desenvolver é um claro indício de que PC promoverá a verdade e a transparência, talvez os mais estruturais elos da boa governança, onde até poderia apresentar, como exemplo "a contrario", o famoso Emanuel dos Santos, de seu cognome "o grego", e as suas manipulações estatísticas e contabilísticas com o Orçamento. Seguiram-se coisas menores mas também significativas nesta perspectiva, e isto vai desde a manutenção de hábitos simples de vida, rapidez sóbria e pontualidade nas actuações e ordens para frugalidade, onde ressalta o muito badalado modo de viajar em turística e a diminuição do uso da frota automóvel.

Se é mais do que um acaso, há também que valorizar fortemente a maneira como transformou a derrota na eleição para Presidente da Assembleia da República numa clara vitória. Esta agilidade de golpe de cintura é um raro trunfo na vida conflitual que o espera. Manteve a palavra dada (coisa rara) ao jarrão Nobre a tirou da cartola Assunção Esteves, mulher, de grande talento, e com um sorrisinho Julia Roberts (em " Peter Pan", não "Mulher de Sonho", entendamo-nos). "Well done".

A faceta simbólica mas também repercutiva vimo-la, igualmente com agrado, no desligar da máquina dos governos civis, quiosques da ligação espúria dos partidos ao Estado e da redundância ou excrecência de serviços públicos. Prometido sistematicamente por toda agente , a desactivação está finalmente a consumar-se.

Não deu tanto nas vistas como merecia, mas achei de alta qualidade, o apelo para deixar o passado para trás, fugindo ao natural instinto da comparação com o socratismo e as suas judiarias, o que revela o espírito positivo que é o apanágio do sucesso, propiciando também possíveis cooperações essenciais com os adversários.

Para prosseguir um Programa de Governo de refundação do Estado, como o qualificou um exuberante Cantiga Esteves, PC formou uma equipa governativa onde a dialéctica politico-técnico, experiente - inexperiente ou grande-pequeno parece irrelevante, pois o que se vê é um conjunto de pessoas de convicções, competentes, focalizadas, motivadas e com sentido de missão. Para gestão de organizações e prossecução de objectivos, não se pode querer melhor perfil.

Atrevo-me, então, a pensar que quando chegar a nossa vez de renegociar a dívida soberana talvez sejamos ouvidos como parceiros e não com o desdém com que Portugal é actualmente visto fora de portas.

 

* Advogado, autor de " Ganhar em Bolsa" (ed. D. Quixote), "Bolsa para Iniciados" e "Crónicas Politicamente Incorrectas" (ed. Presença). Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar


Publicado no Jornal de Negócios dia 1 de Julho de 2011

 

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