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Quinta-Feira,�14 deNovembro,�2019

X menos 9 dias

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Por Fernando Braga de Matos*

(Onde o autor, a uns dias das mais importantes eleições em Portugal desde as de 1975 para a Constituinte, se espraia em comentários a propósito, apesar de, na semana, o assunto de relevo ser o da dívida dos gregos, povo muito chato que ainda nos vai tramar mais, como se para isso necessitássemos de ajuda).

A notícia da semana para mim não tem a ver directamente com eleições, embora nos possa servir de inspiração. Realmente, bojarda a mais, acusação a menos, sondagem para acoli, o famoso dia 5 nunca mais chega para ver se podemos finalmente fazer descansar os tímpanos e o assoberbado senso comum.

Mas vejam o que os corifeus do Ministério da Educação, os tais do eduquês e do grande salto em frente para a sabedoria estatística, por via da ignorância, conseguiram parir para um exame de Fisico-Química do 9º ano, ainda por cima daqueles que não dão para chumbar. Perguntavam os ilustres pedagogos-examinadores quantos eram os planetas do sistema solar, isto depois de os enumerarem um a um pelos nomes; para quem ache tudo isto estranho, eu confirmo que bastava contar pelos dedos.

Outra pergunta de fazer descalibrar qualquer cerebrozinho de 14 anos do ensino oficial da República Portuguesa era no sentido de decidir se a água fervendo a 100º se evaporava ou passava ao estado sólido. Se se quiser meditar sobre o assunto a fim de procurar um explicação lógica para o assunto, porque isto não pode ser verdadeiro, chega-se por exclusão de partes à hipótese da teoria da conspiração para desacreditar a "delicodoce" ministra Alçada, mesmo em dia em que não esteja a explicar às criancinhas as vantagens do iogurte, em língua de trapos para não criar tensão. Deixando a ironia, aliás amarga, para passar ao necessário vitupério, o que se vê é que estes ditos defensores da escola pública liquidam a hipótese da ascensão dos filhos das classes mais pobres, a quem votam à ignorância, pois não só arrasam a dita escola pública como exterminam a essência da escola, local onde se ensina e aprende, e não apenas um trampolim para se cair, daí a uns anos, nas Novas Oportunidades.

- As sondagens revelam um grande número de indecisos e indiciam um número elevado dos que não vão votar - o que dá sempre aquele número exagerado graças ao facto de os cadernos eleitorais, em sítios, lembrarem mais listas de necrologia. Eu, por mim, acho garboso o uso do sacrossanto direito do cidadão se abster, assumindo que se está a borrifar em quem está no poder, desde que não chateie demais. Desta vez, porém, é preciso ser-se zombie para tomar esta posição, desde logo porque temos um a dar cabo da paciência e dos cofres do pais há seis anos e com vontade de reincidir. Não vejo indiferença possível quanto ao sr. Bancarrota, o tal que nos fez revisitar o saudoso ano de 1892. Mas o que me deixa perplexo é a abstenção-protesto, baseada na certeira ideia mas falso pressuposto que os políticos são basicamente um lixo (atenção que esta percepção corre mundo, não se fica por Portugal, pelo que há a conceder o devido desconto). O curioso é que para esses parece estranha a noção de que há maus, piores e péssimos e que tudo se passa no domínio da relatividade. Quem não acha preferível um medíocre mais a um péssimo menos?

Mas temos melhor, uma coisa que eu nunca tinha visto ou sequer ouvido falar, a saber a greve ao voto. Sim, caros amigos, patrícios e concidadãos, greve ao voto e não por chalaça, género Coelho da Madeira, a sério e até com cenho carregado. Refiro-me a esse personagem único, o "bastonadário" da Ordem dos Advogados um habitual da demagogia mais grosseira e que ainda tem bastante audiência porque às vezes toca o dedo em feridas que ninguém quer manusear. Pois Marinho Pinto, aqui há umas semanas, saiu-se com essa, com aquele ar soturno e façanhudo de quem recebeu a luz directamente de Júpiter e se queda incontestável e incontestado. Agora perguntar-me-ão, porque tanto barulho quando o homem às vezes parece inimputável e já entrou na banalidade tonitruante? Pois porque o dito cidadão representa a classe dos advogados, um dos suportes do sistema judiciário, sem a qual justiça para os defendentes não pode ser feita. Isto significa que estamos a falar de um suporte do sistema democrático, para o qual contribuem os actos eleitorais, que são dele condição absolutamente necessária. Greve ao voto?!!

* Advogado, autor de " Ganhar em Bolsa" (ed. D. Quixote), "Bolsa para Iniciados" e "Crónicas Politicamente Incorrectas" (ed. Presença). Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar


Publicado no Jornal de Negócios dia 27 de Maio de 2011

 

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