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Quinta-Feira,�14 deNovembro,�2019

A natureza das cavernas

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por João César das Neves*

Um líder nacional ganha a reeleição para depois da vitória surgirem falcatruas que praticou para ganhar. O escândalo faz cair o seu Governo. Conhece a história? Claro! É Watergate. As diferenças ideológicas entre Richard Nixon e José Sócrates são enormes. Ambos detestariam estar juntos na mesma sala. Mas enfrentam o mesmo problema por razões parecidas. A história evolui e as mudanças multiplicam-se, mas os elementos subterrâneos permanecem.

 

Cairá o Governo português com o escândalo? Para isso era preciso vergonha. As diferenças de Watergate e "Face Oculta" são as diferenças de Abraham Lincoln e Fontes Pereira de Melo, um século depois. Os EUA têm uma democracia; com defeitos, abusos e dificuldades, mas uma democracia. Portugal vive no caciquismo tribal, pacato, benevolente e oportunista, em várias formas históricas. Por exemplo, o Governo diz-se vítima de uma cabala política, mas queixa-se de que a oposição não o quer derrubar. Então quem fez a tal cabala e para quê? Ou não haverá cabala?

 

O progresso muda tudo. Tudo menos uma coisa, a natureza humana. A história não se repete; só os erros. Dentro de nós estamos iguais ao que éramos nas cavernas. A luta entre barbárie e civilização retoma todos os dias o seu fragor. Nenhuma pessoa se pode dizer honesta; todos reganhamos diariamente a honestidade. Os piores são os que se acham seguros. "Quem pensa estar de pé, tome cuidado para não cair." (1Co 10, 12). Os jovens do PS português, socialistas e democráticos, sabiam que a sua ideologia os impediria de cometer os crimes da velha raposa ianque republicana. Mas males desses não vêm da envolvente; mas do coração, da natureza que permanece.

 

Esta evidência acaba sempre esquecida. Os sonhos de sociedade ideal, nova economia, sistema sólido, ressurgem sempre, venham eles de mudança social, descoberta tecnológica ou inovação de regime. E causam grandes catástrofes. Das guilhotinas da França de 1791 à derrocada do NASDAQ em 2001, as diferenças não podem ser maiores. Mas o mal é o mesmo: a segurança arrogante de um mundo novo. Confiantes de que agora tudo será diferente, caem cegamente nas mesmas tolices que enterraram os antecessores e cujo repúdio proclamavam. Quando lhe disserem que há uma revolução e nada será como dantes, fuja! Mudam as moscas, o resto fica.

 

Se deixarmos o folclore da actualidade mediática e passarmos à verdadeira questão política do momento, reencontramos o mesmo tema. Na campanha contra a família e o casamento retomam-se atitudes e técnicas que julgávamos enterradas há muito. Os mais velhos ainda se lembram do desprezo latente como há 30 anos eram olhados os que defendiam a liberdade de empresas e mercados. Um pequeno grupo de iluminados, controlando a cultura oficial, queria impor um modelo alternativo, com mudanças drásticas, subvertendo velhos conceitos e revolucionando economia e sociedade. Quem fosse contra eles era contra a justiça, liberdade, progresso e opunha- -se ao bem-estar de operários e pobres.

 

Hoje o tema não é a economia, é o sexo. Mas vemos as mesmas acusações, certezas, raivas e suspeitas, os mesmos sermões e olhares de esguelha. Ouvimos de novo que, sem mudanças radicais em velhos conceitos, como casamento, nascimento e morte, não há justiça e liberdade. É preciso que a lei permita a morte dos embriões e doentes e o casamento de homossexuais. Isso surge não como proposta legítima e contestável de alguns mas por imposição inelutável. Os temas mudam, mas arrogância, retórica e manipulação são iguais. Até os extremistas são os mesmos, convencendo-nos da nova revolução depois de terem falhado a anterior há 20 anos. Os verdadeiros democratas sabem responder: os capitães de Abril acabam de escrever uma carta aberta contra o casamento homossexual.

É espantoso que o Governo que se arroga o direito de mudar leis seculares e conceitos básicos seja aquele que os jornais mostram como incapaz de respeitar a decência e elementares princípios do Estado de direito. Mas a história também mostra que são sempre esses que fazem isso.

 

 

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*João César das Neves é professor na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais (FCEE) da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa.

 

Publicado no DN dia 22 de Fevereiro 2010

 

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