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Domingo,�31 deMaio,�2020

O euro, vivo ou morto

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por João César das Neves*

Um dos maiores vilões da actualidade é... o euro. A moeda é acusada de todo o mal em Portugal e Europa, anunciando-se a sua morte ou recomendando saídas, da Grécia por baixo ou Alemanha por cima.

Voltar a debater a criação ou composição do euro é ocioso. A única questão relevante agora é a solução para a crescente desconfiança na sua unidade e solidez. E essa deve usar critérios económicos, financeiros, qualquer coisa mais profunda que os preconceitos simplistas ou a retórica sonante das opiniões comuns.

A maioria das queixas nasce de uma nostalgia da desvalorização. Que bom seria reduzir o valor do nosso dinheiro na crise! Muitos falam dessa possibilidade como de um paraíso proibido embora, de facto, pareçam mais ânsias de alcoólicos anónimos. Uma desvalorização baixa custos externos e aumenta exportações sem melhorar a produtividade ou eficiência das empresas. Simplesmente enganando trabalhadores e fornecedores, pagando-lhes com dinheiro degradado. Entretanto todos desembolsam mais por tudo o que compram lá fora. A opção está longe de ser um almoço grátis.

Pior, até os benefícios acabam ilusórios, pois a desvalorização torna-se viciosa. O ajuste cambial dá às empresas grande alívio comercial sem dificuldades, mas também sem méritos. Como nada mudou na actividade, a vantagem rapidamente se esboroa, exigindo sucessivas depreciações para se manter. Portugal, que viveu 13 anos em "desvalorização intravenosa" com o ajustamento deslizante do crawling peg, sabe isto melhor que ninguém.

Mas romper um acordo inquebrável é muito mais do que licença para desvalorizar. Uma coisa é um ajuste cambial controlado, outra o colapso da moeda por ruptura. Se um país abandonar a união monetária sofrerá uma brutal desvalorização, com perda de acesso aos mercados internacionais. As vantagens para as suas exportações não compensariam a violenta explosão financeira, com estilhaços por toda a economia.

Por outro lado, a brecha no acordo implicaria custos para todos os que permanecessem na união. Um clube de onde se pode ser expulso não garante segurança aos sócios. Saindo alguém, os mercados internacionais descontariam fortemente o valor da estabilidade de que hoje, apesar de tudo, gozam todos os membros do euro. Isso significaria que pouco depois da primeira saída teriam de ser equacionadas outras. Conhecemos bem o processo, porque o vivemos nos últimos meses. A espiral de desconfiança entraria então numa fase mais profunda, minando as instituições. Em breve toda a União estaria em perigo.

Então não seria melhor equacionar já o fim do euro? Isso significaria um choque financeiro global de primeira grandeza. É bom lembrar que todos os preços são relativos. A desvalorização de uns é uma valorização alheia. Muitas moedas desceriam violentamente, mas o refúgio noutras teria terríveis impactos nessas economias. Em qualquer caso a perturbação geraria consequências devastadoras, e muito para lá da UE. No estado frágil em que se encontram os mercados internacionais, as consequências seriam imprevisíveis, mas sempre assustadoras.

Estas considerações parciais chegam para compreender que uma alteração nas instituições do euro será sempre alternativa desesperada, nunca escolha sensata. É bom não brincar com o fogo.

Mas será possível salvar o euro? Claro que sim. A zona tem a balança externa equilibrada. O problema é portanto de solidariedade, não de crédito. Só é preciso realismo, seriedade e compromisso. A Grécia tem de reestruturar a dívida, que ninguém acredita que a pague. A Comissão e o BCE, arbitrando um equilíbrio com os credores gregos, devem apoiar todos os bancos e países membros neste novo choque.

Passada a emergência então poderá pensar-se em novas regras, mas sem aproveitamentos hipócritas. Os federalistas, se amam a Europa, não devem insistir na falsidade de que só a integração orçamental ou as eurobonds são solução. O Pacto de Estabilidade, se tivesse sido cumprido, teria evitado isto. Insistir agora em avanços de integração arrisca-se a destruir tudo.

 

 

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*João César das Neves é professor na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais (FCEE) da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa.

 

Publicado no DN dia 3 de Outubro 2011

 

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